O planeta terra é coberto por 70% de água, aproximadamente. São cerca de 1.400 milhões de km3 de água. Olhado à distância, como afirmou Armstrong, ao chegar à lua, ele é azul. Entretanto, 97,5% de toda a água do Planeta é salgada, ou seja, cerca de 1.365 milhões de km3.
Para saciar a necessidade do consumo humano, teríamos, em princípio, 2,5% de água doce, o equivalente a 35 milhões de km3 de água. Mas, nesse pequeníssimo percentual, comparado com o todo, é de considerar que 80%, cerca de 28 milhões de km3, está localizado nas calotes polares da Antártida e da Groenlândia. Nos 20% restantes, o equivalente a 7 milhões de km3, temos distribuído: a humidade do solo e da atmosfera (vapor); reservas subterrâneas profundas de difícil acesso para o uso humano; os rios; nascentes e lagos. Por conseguinte, só é acessível para o consumo humano menos de 0,5% de toda a água doce do Planeta. Pior, nesse percentual, ainda concorrem a irrigação com 85%, as indústrias com 10%, ficando o consumo humano restrito a 5%. O ser humano necessita de ingerir diariamente de 2 a 3 litros de água. O seu corpo compõe-se de, mais ou menos, 70% de líquido que requer reposição frequente.
A humanidade dispõe de menos de 7 milhões de Km3 de água utilizável para sobrevivência de, aproximadamente, 5 biliões de pessoas no planeta. Como vimos, o líquido essencial à vida é escasso, com riscos de tornar-se fonte de lucro e de poder.
Por ser essencial à vida, é um bem comum, logo, não pode ser propriedade de ninguém. Vem da natureza, não se sabe até quando. Sabe-se, porém, que é um recurso finito e vulnerável, já comprovado pela redução que ocorreu nos últimos 50 anos, provavelmente, pela poluição e agressões humanas aos ecossistemas.
Comparados os recursos naturais actuais com os que já existiram nota-se uma redução assustadora.

Mas será que a água é igualmente acessível a todos?
A falta de água ameaça tornar-se o maior problema do século XXI. Se por um lado os Europeus desfrutam e abusam do uso da água, o povo do Médio Oriente entra em confrontos e guerras para a sua posse. O primeiro caso conhecido de uma verdadeira guerra, pela falta de água, remonta a 4.500 anos. Ela opôs duas cidades da Mesopotâmia a propósito do Tigre e do Eufrates.
Poder-se-á comparar o problema do esgotamento da água com o do petróleo? No que respeita à problemática do petróleo, este é abundante no Médio Oriente, e escasso nos restantes locais, gerando, mais uma vez conflitos.
Confrontando descobertas com produção acumulada, verifica-se que teremos já encontrado 90% das reservas existentes de petróleo; chegámos ao ponto em que, anualmente, se extraem 22 mil milhões de barris de petróleo ao passo que se descobrem apenas 6 mil milhões. Estamos, desde o início da década de 90, a consumir sobretudo as descobertas acumuladas no passado.
A situação não será assim tão grave porque existem fontes de energia primária alternativas, mormente o gás natural e também hidrocarbonetos "não convencionais". Mas o conhecimento dos ciclos de matérias-primas energéticas mostra quão lentos são esses processos de substituição, num sector em que os investimentos são demorados e pesados, que requer redes de infra-estruturas extensas e complexas, e que interfere com estilos de vida, atitudes e condições materiais, fortemente enraizados no quotidiano.
Água e Energia Solução do Conflito no Médio Oriente
O conflito desigual e perigoso no Médio Oriente surge em virtude do controle e do uso dos recursos hídricos e energéticos.
Sem hidrocarbonetos, um país sobrevive e pode desenvolver-se, mas sem água, não. Para ultrapassar este grave problema, poder-se-ia implementar o transbordo de água entre as nações se houvesse uma base de interesses aprovada em compromissos mútuos. Havendo esse acordo o projecto poderia encetar-se a partir do Mar Cáspio.
O Mar Cáspio é um dos mais importantes lagos naturais do mundo. Está localizado 28 metros abaixo do nível do mar e caracteriza-se por uma suave descida ao norte (Rússia) e por uma grande capacidade de armazenamento e de profundidade (mais de mil metros) ao sul. Se a parte norte descer poucos metros, as águas irão espraiar-se por vários quilómetros, devido ao fundo quase horizontal do mar. No sul, entretanto, onde as instalações de transferência energética dos hidrocarbonetos se poderão colocar reúnem-se vantagens e condições técnicas ideais.
A transferência da água resolveria sérios problemas da falta de água que ocorrem na parte sul do imenso mar-lago Cáspio. Em consequência desse represamento natural, o fluxo da água seria bombeado para o norte do Iraque (Curdistão), desaguando no rio Tigre, localizado ao norte de Mosul. Continuando pelo seu curso natural e pelos seus canais, o Tigre unir-se-ia ao rio Khabar, tributário do Eufrates. Nesses rios, que formam a fronteira natural da região mesopotâmica, permaneceria água suficiente para irrigar as terras ao norte da Síria e no Iraque, bem como para ser distribuída por várias outras populações. A transferência Mar Cáspio - Médio Oriente continuaria para o sul da Síria, onde o fornecimento aos centros populosos e novos distritos de irrigação ocorreriam, bem como possíveis canais de distribuição para fornecer água ao nordeste da Jordânia. Essa inovação eliminaria conflitos pelo uso da água e facilitaria acordos políticos alternativos.
Claro que para a concretização do projecto, para além da construção das infra-estruturas, é necessário saber se a baixa salinidade do Mar Cáspio permite o uso da água para fins agrícolas e urbanos. Um projecto desta natureza terá de incluir outros projectos de infra-estruturas em grande escala, a fim de optimizar o uso dos recursos naturais, e ligar cidades e populações diferentes. Naturalmente, é obrigatório expandir acordos regionais de cooperação.
Ao usar o petróleo não como objectivo ou prémio de guerra, mas como apoio essencial e complemento para financiar, construir e estimular o desenvolvimento extenso e em grandes proporções, através de um grande projecto de infra-estruturas as crescentes e recorrentes guerras para controlar a água nessa região representativa da civilização humana poderiam ser resolvidas.
Este projecto de infra-estruturas evitaria que discussões se materializassem em destruição e desolação, para se obter o controle e a administração da região e se evoluísse para objectivos multinacionais renovados de cooperação, coordenação e conquistas, nos quais o interesse comum e o compromisso seriam garantir a coexistência e progresso de forma pacífica.
Artigo elaborado com base na pesquisa realizada nos sites: http://www.mexicotm.com/orlentemedio/index pt.html http://resistir.info/rui/proximo médio priente.html http://www.amerlis.pt/oil/crise.html http://www.iornalexpress.com.br/
Artigo elaborado por
Joana Lages, Fátima Pereira, Teresa Oliveira - 12º A
Esc. Sec. Póvoa de Lanhoso